O governo da Indonésia iniciou negociações estratégicas para exportar 1 milhão de toneladas de fertilizantes para um grupo de países que inclui Brasil, Índia, Filipinas e Tailândia. O anúncio foi feito pelo secretário de Gabinete indonésio, Teddy Indra Wijaya, em comunicado divulgado na noite desta terça-feira (21). Este novo compromisso se soma às 250 mil toneladas de insumos já enviadas para a Austrália, consolidando o país asiático como um fornecedor chave em um momento de instabilidade nas cadeias de suprimento globais.
A decisão de expandir as exportações baseia-se em um excedente confortável na produção doméstica indonésia. Segundo dados do Ministério da Agricultura local, o país produz anualmente 7,8 milhões de toneladas de fertilizante de ureia, enquanto o consumo interno é de 6,3 milhões de toneladas. Esse excedente de 1,5 milhão de toneladas permite que a Indonésia atenda à demanda crescente de nações agrícolas, como o Brasil, que buscam alternativas para garantir a produtividade de suas safras diante das dificuldades logísticas no Oriente Médio.
A escassez de fertilizantes tornou-se uma preocupação crítica para os países em desenvolvimento devido ao agravamento da guerra no Irã e ao bloqueio no Estreito de Ormuz. O conflito afetou diretamente a produção e o escoamento de insumos químicos e derivados de gás natural, essenciais para a fabricação de adubos. Na última semana, a agência de comércio das Nações Unidas alertou que o aumento nos custos de energia e a restrição de oferta de fertilizantes podem impactar a segurança alimentar global e anular os ganhos econômicos recentes dos produtores rurais.
Para o Brasil, a consolidação desse acordo com a Indonésia representa um alívio estratégico para o setor do agronegócio, que depende fortemente da importação de nitrogenados. A diversificação de fornecedores é vista por especialistas como uma medida necessária para mitigar os efeitos da alta nos preços do petróleo e do gás, que têm encarecido o frete e a produção de insumos. As negociações devem avançar nas próximas semanas para definir cronogramas de entrega e modalidades de pagamento entre os governos envolvidos.
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Fonte: News Rondônia