Um dos roedores mais raros do mundo, o camundongo-do-bolso-do-Pacífico, está surpreendendo cientistas ao demonstrar capacidade de adaptação às mudanças climáticas. De acordo com um estudo publicado na revista científica “Science Advances”, a espécie conseguiu preservar genes cruciais para a sobrevivência em ambientes áridos, mesmo após sofrer um declínio populacional severo que reduziu drasticamente sua diversidade genética ao longo do último século.
Habitante de uma estreita faixa litorânea no sul da Califórnia, o pequeno animal chegou a ser considerado extinto por duas décadas, sendo redescoberto apenas em 1994. Atualmente, a espécie sobrevive em apenas três populações isoladas na natureza. Pesquisadores do San Diego Zoo Wildlife Alliance compararam o genoma de exemplares de museus da década de 1930 com indivíduos atuais, identificando 14 genes específicos ligados à resistência a altas temperaturas.
O monitoramento de uma população reintroduzida no Parque Natural de Laguna Coast revelou que essas variantes genéticas estão mudando na direção esperada para enfrentar o aquecimento global. Segundo Erik Funk, líder do estudo, a estratégia de cruzar indivíduos das três populações remanescentes em cativeiro foi fundamental para elevar a resiliência climática do grupo. Quatro desses genes mostraram-se decisivos para determinar quais animais sobreviviam aos verões rigorosos da região.
A urbanização costeira e a fragmentação do habitat continuam sendo as maiores ameaças à espécie, mas a descoberta traz esperança para os esforços de conservação. Os cientistas agora planejam monitorar um segundo grupo reintroduzido para entender como as estratégias de manejo genético podem ser aplicadas a outras espécies ameaçadas que, ao contrário do camundongo-do-bolso, podem ter perdido o repertório necessário para responder às pressões ambientais modernas.
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Fonte: News Rondônia