A agência de notícias oficial da República Islâmica do Irã (Irna) informou, neste sábado (18), que o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restaurado ao seu status anterior, sob supervisão reforçada das Forças Armadas do país. O anúncio ocorre em um momento de extrema tensão diplomática e militar. Segundo o tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, o estreito voltou a ser gerido de forma estrita pelo Irã após os Estados Unidos serem acusados de “violar repetidamente os compromissos” e praticar atos descritos pelos iranianos como pirataria marítima sob o pretexto de bloqueio naval.
A movimentação iraniana acontece apenas dois dias após o anúncio de um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel, mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Embora o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, tenha declarado inicialmente que a navegação estaria aberta durante a trégua, o novo comunicado militar sugere um endurecimento na fiscalização. Para Teerã, a presença de navios norte-americanos no Oceano Índico, posicionados para interceptar possíveis ataques, configura uma violação direta dos termos de segurança discutidos internacionalmente.
O Estreito de Ormuz é considerado a artéria mais importante para a economia global de energia, sendo responsável pela passagem de aproximadamente 20% de toda a produção mundial de petróleo. A Agência Tasnim, ligada ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), já havia alertado que o fechamento total da via seria uma resposta inevitável caso o bloqueio naval dos EUA persistisse. A reabertura controlada, que havia sido concedida como um gesto de “boa fé”, agora é revista pelo governo iraniano como uma medida de soberania diante da pressão ocidental.
O cenário de incerteza no estreito reflete a fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio. Enquanto a comunidade internacional aguarda a manutenção da trégua de dez dias, a “nova ordem” que rege a região sob o comando das forças navais iranianas mantém o mercado de combustíveis em alerta. A restauração do controle total por parte do Irã envia um sinal claro às potências globais de que a livre navegação no ponto estratégico está diretamente vinculada ao cumprimento integral das exigências iranianas nas negociações de paz em curso.
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Fonte: News Rondônia