Pesquisadores da Fundação do Câncer emitiram um alerta nesta terça-feira (14) sobre a precariedade dos bancos de dados oficiais relacionados ao câncer de pele no Brasil. Ao analisar registros hospitalares e sistemas de mortalidade, a instituição identificou lacunas críticas que comprometem o diagnóstico precoce e a criação de políticas públicas. Entre os dados ausentes mais relevantes estão a raça/cor da pele, omitida em 36% dos casos, e a escolaridade dos pacientes, ignorada em 26% dos registros nacionais.
A falta de detalhamento estatístico é considerada grave por especialistas, já que o Brasil possui índices de radiação ultravioleta extremamente elevados. O epidemiologista Alfredo Scaff, coordenador do estudo, explica que essas informações são vitais para direcionar campanhas de prevenção específicas. Na região Sudeste, a omissão sobre a cor da pele chega a ultrapassar 68% nos casos de melanoma, o tipo mais agressivo da doença, o que impede uma análise precisa sobre as desigualdades raciais no acesso à saúde.
O câncer de pele é o mais comum no país, com estimativas de 263 mil novos casos anuais de tipos não melanoma entre 2026 e 2028. O estudo destaca que a exposição solar crônica e intermitente é o principal fator de risco, afetando principalmente pessoas acima dos 50 anos. Scaff alerta que a proteção deve ir além do uso de filtros solares, focando em trabalhadores que atuam ao ar livre, como agricultores, policiais e garis, que necessitam de equipamentos de proteção individual como chapéus e roupas com proteção UV.
A região Sul do Brasil lidera as taxas de mortalidade por melanoma, especialmente entre os homens. A Fundação do Câncer reforça que a exposição a fontes artificiais, como câmeras de bronzeamento, e queimaduras solares severas na infância elevam drasticamente as chances de desenvolver a doença na vida adulta. O Ministério da Saúde informou que está analisando os resultados da pesquisa para se manifestar sobre possíveis melhorias no preenchimento dos registros hospitalares em todo o território nacional.
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Fonte: News Rondônia