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“Novelas das frutas” acendem alerta sobre vício e ‘cérebro podre’

Personagens como bananas, morangos, abacaxis e o popular “Abacatudo” têm dominado vídeos curtos nas redes sociais. Criados com inteligência artificial e exibidos em formato vertical, esses conteúdos seguem o estilo de folhetins rápidos, com episódios cheios de conflitos, reviravoltas e finais em suspense.
A tendência começou fora do Brasil, mas ganhou força recentemente no país, tornando-se assunto frequente em conversas online e no cotidiano. A proposta simples e até absurda das histórias é justamente o que ajuda a atrair o público — e mantê-lo assistindo.
Por que esses vídeos prendem tanto a atenção
Segundo a psicóloga gaúcha Jessica Mras, o sucesso dessas produções não está na narrativa em si, mas na forma como o conteúdo é estruturado.

“A tal novela das frutas parece só um conteúdo bobo, né? Uma banana traindo uma maçã, uma uva fazendo barraco, um tal de Abacatudo. Mas o que te prende não são as histórias. São os episódios curtos, com emoção exagerada, conflito o tempo inteiro e, principalmente, um final que te deixa em suspense. E isso ativa no teu cérebro pequenas descargas de dopamina, uma atrás da outra. É o famoso ‘só mais um episódio’ que vira uma hora inteira do teu dia sem tu perceber”.

Esse mecanismo é semelhante ao de outras plataformas de vídeos curtos, que estimulam o consumo contínuo por meio de recompensas rápidas no cérebro.
O que é o “brain rot” ou ‘cérebro podre’
A especialista alerta que o consumo excessivo desse tipo de conteúdo pode levar a um fenômeno conhecido como “brain rot”, ou “cérebro podre”.
O termo se refere a um estado de desgaste mental causado pela exposição repetitiva a conteúdos superficiais, que exigem pouco esforço cognitivo. Como consequência, pode haver redução da capacidade de concentração, dificuldade de reflexão e menor interesse por atividades mais profundas.
O conceito ganhou destaque recentemente, sendo escolhido como expressão do ano pelo Dicionário Oxford em 2024, embora suas origens remontem ao século XIX, quando o escritor Henry David Thoreau já criticava os efeitos da superficialidade cultural.

“Como a história é simples e meio absurda, ela não exige nenhum esforço de ti. O teu cérebro não precisa pensar nem interpretar muito. Ele só reage. O nome disso é brain rot ou, no bom e velho português, ‘cérebro podre’. Que seria um consumo repetitivo e superficial de conteúdo que vai entorpecendo a tua mente”, explica a psicóloga.

Riscos do consumo excessivo de conteúdo superficial
De acordo com Jessica, o principal problema não está em consumir esse tipo de conteúdo ocasionalmente, mas no excesso e na substituição de experiências mais significativas.
“Tu passa a buscar picos rápidos de emoção ao invés de sustentar experiências mais profundas. Óbvio que não tem problema nenhum se divertir assistindo a frutas brigando. O problema é quando isso se torna mais interessante do que a tua própria vida.”
Entre os possíveis impactos estão:

dificuldade de manter o foco em tarefas longas
queda no interesse por leitura ou estudos
aumento da ansiedade e da necessidade de estímulos rápidos
sensação de tempo perdido após longos períodos de consumo

Como equilibrar o consumo nas redes
Especialistas recomendam atenção ao tempo gasto em conteúdos curtos e a busca por equilíbrio digital. Algumas medidas simples podem ajudar:

definir limites diários de uso das redes sociais
intercalar consumo de vídeos com outras atividades
priorizar conteúdos mais profundos e educativos
reservar momentos sem telas ao longo do dia

O fenômeno das “novelas das frutas” mostra como tendências digitais podem se popularizar rapidamente. Ao mesmo tempo, reforça a importância de um consumo consciente para evitar impactos negativos na saúde mental.
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Fonte: News Rondônia

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