Os preços ao consumidor nos Estados Unidos registraram em março o maior salto mensal desde junho de 2022, impulsionados pelos efeitos diretos do conflito militar com o Irã. Dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Departamento do Trabalho revelam que o índice de preços ao consumidor (IPC) subiu 0,9% no mês passado, acelerando significativamente em relação aos 0,3% registrados em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a inflação americana atingiu 3,3%, consolidando um cenário de pressão econômica que deve manter as taxas de juros elevadas.
O principal motor da inflação foi o setor de energia, refletindo a valorização de mais de 30% nos preços globais do petróleo bruto após o início das hostilidades no Oriente Médio. Pela primeira vez em mais de três anos, o preço médio da gasolina no varejo americano ultrapassou a marca de US$ 4 por galão. Embora o presidente Donald Trump tenha anunciado um cessar-fogo temporário de duas semanas, a instabilidade no Estreito de Ormuz mantém os custos de logística e combustíveis, como o diesel, em patamares alarmantes.
Apesar da volatilidade, o núcleo da inflação que exclui itens de energia e alimentos subiu 0,2% no mês, acumulando 2,6% em um ano. No entanto, analistas alertam que este dado moderado não traz alívio ao Federal Reserve (o banco central dos EUA), pois espera-se que os efeitos secundários do choque do petróleo, como o aumento nos custos de transporte e produção de bens, sejam repassados aos preços finais já no mês de abril, agravando o custo de vida.
O cenário coloca à prova as promessas de campanha de Trump, que venceu as eleições de 2024 com o compromisso de reduzir os preços e fortalecer o poder de compra das famílias. Com o mercado de trabalho ainda estável, mas sob ameaça de uma retração no consumo devido à inflação, o Banco Central americano enfrenta dificuldades para flexibilizar a política monetária. Economistas avaliam que as chances de um corte nas taxas de juros ainda este ano diminuíram drasticamente diante da persistência das tarifas e do impacto global do conflito.
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Fonte: News Rondônia