A campanha de bombardeios massivos de Israel contra o Líbano, que registrou a morte de 303 pessoas em apenas um dia, é insuficiente para garantir vitórias militares definitivas contra o Hezbollah. A análise é do capitão da reserva da Marinha brasileira, Robinson Farinazzo, presidente do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (Gsec). Segundo o especialista, a estratégia de Tel-Aviv parece focar mais no impacto psicológico sobre a população civil libanesa do que na destruição efetiva das estruturas do grupo xiita, que são altamente camufladas e descentralizadas.
Para Farinazzo, o objetivo declarado do governo de Benjamin Netanyahu de “acabar com o Hezbollah” é inalcançável. Ele sugere que a intensificação dos ataques pode ser um reflexo do desespero político de Netanyahu frente à fragilidade da posição dos Estados Unidos no conflito. O militar ressalta que o exército israelense enfrenta um desgaste considerável e que, embora consiga avançar territorialmente até o Rio Litani, dificilmente teria condições de manter a ocupação sem sofrer baixas insustentáveis a longo prazo.
No campo diplomático, o cenário permanece instável. Após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã na última terça-feira (7), Israel intensificou as ações no Líbano, levando o Hezbollah a retomar os ataques e o Irã a ameaçar o abandono das negociações. O secretário-geral do grupo, Sheikh Naim Qassem, afirmou nesta sexta-feira (10) que o fracasso das tropas terrestres israelenses em avançar é o motivo real por trás dos bombardeios aéreos indiscriminados contra Beirute e o sul do país.
Quanto à crise no Estreito de Ormuz, Farinazzo é enfático ao afirmar que uma solução puramente militar para reabrir a passagem é “virtualmente impossível”. Devido à geografia estreita da região e ao poder de fogo do Irã com mísseis de cruzeiro e minas marítimas, qualquer tentativa de intervenção naval resultaria em perdas catastróficas para os EUA. O especialista conclui que a diplomacia é a única saída viável, alertando que a insistência em um confronto direto pode levar ao esgotamento militar e econômico das potências ocidentais.
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Fonte: News Rondônia