A Esplanada dos Ministérios foi ocupada nesta quinta-feira (9) por uma marcha de indígenas de diversas regiões do país, que integram a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). O protesto teve como foco principal a oposição à exploração mineradora em terras tradicionais e a defesa de políticas públicas de infraestrutura e educação. Lideranças de povos como os Huni Kuim, Pataxó e Tupi levaram bandeiras e faixas ao Congresso Nacional, exigindo a proteção da biodiversidade e o fim da pressão de grileiros sobre seus territórios.
Um dos principais alvos das críticas é o projeto da mineradora Belo Sun, na região da Volta Grande do Xingu, em Mato Grosso. A liderança Sara Pataxó denunciou que a fauna e a flora locais já sofrem impactos severos acumulados pela Usina de Belo Monte, o que comprometeu a segurança alimentar de comunidades devido ao fim da reprodução de peixes. Durante o ato, manifestantes pintaram as mãos de vermelho para simbolizar o perigo que grandes empreendimentos representam para os ecossistemas da Amazônia e da Mata Atlântica.
Além das questões ambientais, o movimento reivindica direitos básicos, como o abastecimento regular de água e o acesso ao ensino superior. Jovens indígenas destacaram a necessidade de formação em áreas como psicologia e educação intercultural para fortalecer a saúde mental e a memória histórica de suas aldeias. O ATL reúne cerca de 8 mil pessoas em Brasília até este sábado (11), consolidando-se como a maior mobilização indígena do mundo para discutir autonomia e sustentabilidade.
Ao final do dia, o grupo entregou uma carta a representantes do Poder Executivo reconhecendo avanços recentes, mas cobrando urgência na homologação de novas terras indígenas. Outro documento foi encaminhado ao Itamaraty com uma proposta inédita: a criação de áreas totalmente livres de exploração de petróleo e gás em territórios tradicionais. O movimento reforça que a proteção das terras indígenas é a medida mais eficaz para conter o avanço das crises climáticas no planeta.
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Fonte: News Rondônia