A caderneta de poupança registrou um saldo negativo de R$ 11,1 bilhões em março, de acordo com o relatório mensal divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Banco Central (BC). Durante o mês, os brasileiros depositaram R$ 369,6 bilhões, mas as retiradas foram superiores, somando R$ 380,7 bilhões. Mesmo com o crédito de R$ 6,3 bilhões em rendimentos no período, o estoque total da aplicação mais popular do país permanece próximo ao patamar de R$ 1 trilhão, refletindo uma tendência de desidratação que se arrasta pelos últimos anos.
O movimento de saques é impulsionado principalmente pela manutenção da taxa Selic em níveis elevados. Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha iniciado um ciclo de cortes de 0,25 ponto percentual na última reunião, os juros altos continuam tornando outros investimentos de renda fixa mais atrativos que a poupança. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a evasão de recursos da caderneta já chega a R$ 41,2 bilhões, superando o ritmo de retiradas observado no mesmo período de 2024.
A autoridade monetária monitora com cautela o cenário econômico global, especialmente as tensões no Oriente Médio, que podem pressionar a inflação e forçar uma revisão no ciclo de baixa dos juros. A Selic é a principal ferramenta do BC para manter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dentro da meta de 3%. Em fevereiro, a inflação oficial fechou em 0,7%, impulsionada pelos setores de transportes e educação, embora o acumulado em 12 meses tenha recuado para 3,81%.
O mercado financeiro aguarda com expectativa a divulgação da inflação de março pelo IBGE, prevista para esta sexta-feira (10). O dado será fundamental para medir os primeiros impactos do conflito internacional nos preços internos, especialmente nos combustíveis. Caso a inflação apresente aceleração, a migração de recursos da poupança para fundos que acompanham a variação dos juros deve se intensificar, mantendo a pressão sobre o saldo da caderneta nos próximos meses.
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Fonte: News Rondônia