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Mapa Autismo Brasil revela que acesso a terapias e diagnóstico é limitado

O estudo Mapa Autismo Brasil (MAB), divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Autismos, apresenta o primeiro perfil sociodemográfico detalhado sobre a população autista no país. Com mais de 23 mil entrevistas realizadas entre março e julho de 2025, o levantamento revela que a jornada pelo diagnóstico e pelo tratamento enfrenta gargalos estruturais. Embora o Censo do IBGE estime 2,4 milhões de autistas no Brasil, o MAB destaca que apenas 20,4% conseguiram confirmar o transtorno pelo SUS, evidenciando a dependência do setor privado.
A pesquisa acende um alerta sobre a intensidade do suporte terapêutico. Segundo os dados, 56,5% dos autistas realizam no máximo duas horas semanais de terapia, quantidade considerada insuficiente pelos padrões internacionais para o desenvolvimento multidisciplinar. Além disso, apenas 15,5% dos entrevistados conseguem realizar as sessões pela rede pública. O custo financeiro é elevado para as famílias: mais de 60% precisam pagar planos de saúde ou tratamentos particulares para garantir o atendimento necessário.
O perfil traçado pelo MAB mostra que 72,1% dos autistas mapeados têm até 17 anos e 65,3% são do sexo masculino. No campo das comorbidades, o TDAH aparece em 51,5% dos casos, seguido pela ansiedade (41,1%). Outro dado relevante refere-se aos cuidadores: 92,4% são mães, e cerca de 30% delas declararam estar desempregadas ou sem renda própria. O instituto avalia que essa exclusão do mercado de trabalho reflete o impacto direto das intensas demandas de cuidado sobre a trajetória profissional feminina.
No âmbito educacional, embora 83,7% frequentem a escola, quase 40% dos estudantes não recebem nenhum tipo de apoio ou recurso de acessibilidade. Na vida adulta, o cenário de inclusão permanece desafiador, com 29,9% dos autistas entre 18 e 76 anos sem emprego ou renda. Para o Instituto Autismos, os resultados do mapa devem servir de base para a atualização de políticas públicas que garantam não apenas o diagnóstico precoce, mas a manutenção de terapias adequadas e a inclusão efetiva no mercado de trabalho.
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Fonte: News Rondônia

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