A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global sobre o impacto direto das mudanças climáticas na explosão de casos de dengue e outras arboviroses. Durante a Cúpula Uma Só Saúde (One Health Summit), realizada em Lyon, na França, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, apresentou dados alarmantes: em 2024, as Américas enfrentaram o pior surto de sua história, com mais de 13 milhões de diagnósticos e 8,4 mil óbitos. Segundo o diretor, a dengue deixou de ser apenas uma enfermidade tropical para se tornar um termômetro do desequilíbrio entre o homem e o meio ambiente.
O evento, organizado pelo governo francês no âmbito da presidência do G7, reuniu lideranças globais entre os dias 5 e 7 de abril de 2026 para revisar as estruturas de saúde internacional. No centro das discussões está o conceito de “Saúde Única”, que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e dos ecossistemas. Barbosa enfatizou que a antecipação de riscos e a vigilância integrada entre os países são as únicas formas de conter novas epidemias, utilizando mecanismos como o Fundo Rotativo para garantir o acesso equitativo a vacinas.
A parceria com instituições brasileiras, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi destacada como um pilar estratégico para o treinamento de milhares de profissionais em diagnóstico e manejo clínico. O Campus Virtual de Saúde Pública da Opas tem sido a principal ferramenta para capacitar equipes de saúde no enfrentamento das variantes da doença. A colaboração técnica busca padronizar o atendimento precoce, reduzindo a taxa de letalidade mesmo diante da circulação simultânea de múltiplos sorotipos do vírus nas Américas.
Além da dengue, a cúpula em Lyon debateu ameaças crescentes como a resistência antimicrobiana e a poluição ambiental. O encontro internacional serviu como palco para a OMS assumir a presidência da Quadripartite (parceria entre agências da ONU para saúde animal e ambiental), reforçando o compromisso de traduzir promessas políticas em ações multissetoriais. As conclusões da cúpula devem pautar as próximas reuniões do G7, focando em sistemas alimentares sustentáveis e na resiliência climática como ferramentas de prevenção de futuras crises sanitárias globais.
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Fonte: News Rondônia