Israel realizou, nesta quarta-feira (8), a maior ofensiva coordenada no Líbano desde o início do conflito, resultando na morte de 254 pessoas e deixando mais de 1.100 feridos. Denominada pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) como “Operação Escuridão Eterna”, a ação atingiu simultaneamente mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do país. Os ataques ocorreram apenas horas após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, mediado pelo Paquistão.
A escalada militar gerou uma crise diplomática imediata sobre os termos da trégua regional. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o fim das agressões no Líbano era uma das 10 condições essenciais do acordo firmado com Washington. Contudo, em pronunciamento televisionado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, negou que o país vizinho faça parte do cessar-fogo. Representantes da Casa Branca corroboraram a versão israelense, alegando que o pacto se restringe ao conflito direto entre as forças americanas e iranianas.
A devastação em Beirute foi severa, com pelo menos cinco bairros residenciais e comerciais atingidos sem aviso prévio. Equipes de socorro utilizaram guindastes para resgatar moradores presos em prédios semidestruídos, enquanto civis em motocicletas auxiliavam no transporte de feridos devido à insuficiência de ambulâncias. O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, classificou a escala de destruição como “horrível”, destacando que a carnificina poucas horas após um acordo de paz desafia a crença internacional na diplomacia.
Enquanto o Hezbollah afirma ter cessado seus ataques para cumprir o acordo comunicado por Teerã, Israel intensificou as operações para estabelecer uma “zona de contenção” ao sul do Rio Litani, desconectando a região do restante do país. A Guarda Revolucionária do Irã já advertiu que haverá uma resposta severa caso os bombardeios não parem. A incerteza sobre a abrangência da trégua ameaça colapsar os esforços de paz em toda a região, mantendo o Líbano como o epicentro de uma crise humanitária que já deslocou mais de um milhão de pessoas.
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Fonte: News Rondônia