O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que o sigilo de oito anos imposto sobre os documentos da liquidação do Banco Master não é uma medida excepcional. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado, Galípolo explicou que a decisão, tomada em novembro do ano passado, seguiu uma norma interna estabelecida em 2018. Segundo ele, a regra atual prevê dez anos de sigilo para bancos maiores e oito anos para instituições menores, como era o caso do Master.
Galípolo destacou que, desde 2018, todas as 16 resoluções de intervenção ou liquidação adotadas pelo Banco Central seguiram rigorosamente esse critério de publicidade restrita. O dirigente ressaltou que, como atual presidente, não lhe cabe descumprir uma norma vigente há sete anos, pontuando que a mudança da regra depende de outras esferas de poder. O objetivo da manutenção do sigilo é evitar que detalhes técnicos sejam utilizados em eventuais processos judiciais contra a autarquia.
A padronização das decisões, segundo Galípolo, busca proteger o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de pedidos de indenização bilionários. Ele citou que a instituição ainda responde a processos na Justiça por liquidações ocorridas entre 20 e 50 anos atrás. “Entendemos ser fundamental seguirmos o rito o mais estritamente possível, justamente para evitarmos dar algum tipo de subsídio para eventuais questionamentos”, justificou o economista aos senadores da comissão.
A liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025, encerrou um período de crescimento acelerado da instituição, que atraía clientes com CDBs de rentabilidade acima do mercado. De acordo com Galípolo, o banco assumiu riscos excessivos que corroeram sua liquidez. No dia em que a intervenção foi anunciada, o Master tinha em caixa apenas 10% do valor necessário para honrar os títulos que venciam naquela data, confirmando um quadro de insolvência que já se arrastava desde o início de 2025.
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Fonte: News Rondônia