Os participantes do Acampamento Terra Livre (ATL 2026) intensificaram, nesta terça-feira (7), a cobrança pela instalação de uma comissão oficial para aprofundar a investigação de violências cometidas por agentes públicos contra povos originários. A demanda foca no período entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988, intervalo já analisado anteriormente pela Comissão Nacional da Verdade (CNV). A criação de um colegiado específico para a temática indígena é uma das 13 recomendações feitas pela CNV ainda em 2014, mas que segue aguardando uma implementação definitiva por parte do governo federal.
De acordo com Paulino Montejo, assessor político da Articulação dos Povos Indígenas (Apib), as investigações preliminares apontam que ao menos 8.350 indígenas foram assassinados no período investigado. O movimento busca agora o resgate da memória e a reparação histórica desses crimes para garantir a “não repetição” das violações. Especialistas e acadêmicos que participam do acampamento em Brasília ressaltam que a Justiça de Transição é fundamental para fortalecer o Estado Democrático de Direito, permitindo que a versão dos fatos contada pelas próprias vítimas seja integrada à história oficial do país.
A proposta para a criação da Comissão Nacional da Verdade Indígena já possui um texto legal sugerido, entregue ao governo em outubro de 2025 pelo Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas. Segundo o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, o projeto coloca o protagonismo da produção da verdade histórica nas mãos das comunidades afetadas. O objetivo é criar mecanismos de reparação integral que considerem não apenas os danos individuais, mas o impacto coletivo sobre os territórios e as culturas ancestrais ao longo das últimas décadas.
A plenária sobre Memória, Verdade e Justiça foi um dos destaques da programação do ATL, que reúne milhares de indígenas no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, até o próximo sábado (11). Enquanto o fórum organiza debates e capacita estudantes indígenas em conceitos de justiça, as lideranças reforçam que a luta por direitos territoriais está intrinsecamente ligada ao reconhecimento das violências do passado. Para os manifestantes, o silenciamento sobre o que ocorreu no Mato Grosso do Sul e em outras regiões de conflito histórico é um obstáculo que precisa ser superado para a pacificação do campo.
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Fonte: News Rondônia