O governo do estado do Rio de Janeiro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (7), que as imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atuaram na Operação Contenção já foram enviadas à Polícia Federal (PF). O esclarecimento foi protocolado um dia depois de o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmar em ofício ao ministro Alexandre de Moraes que a corporação ainda não havia recebido o acervo audiovisual da Polícia Militar. Segundo o governo fluminense, o compartilhamento dos dados foi realizado regularmente e a comprovação do envio já consta nos autos do processo que tramita na Suprema Corte.
A controvérsia sobre a entrega dos arquivos surge em um momento crítico das investigações sobre a legalidade da operação, realizada no ano passado, que resultou em mais de 120 mortes em comunidades do Rio de Janeiro. Em março de 2026, o ministro Alexandre de Moraes determinou que tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar encaminhassem integralmente as gravações para que a PF realizasse a perícia técnica. Enquanto o material da Polícia Civil já está sendo analisado pelos peritos federais, a ausência inicial dos registros da PM gerou questionamentos sobre a transparência do processo de apuração de condutas policiais.
A investigação está inserida no contexto da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, ação na qual o STF estabeleceu uma série de diretrizes para reduzir a letalidade policial em áreas vulneráveis. O uso das câmeras corporais é uma das principais exigências da Corte para garantir o monitoramento das ações e a produção de provas em casos de confrontos com óbitos. O governo do estado reforçou que o acervo da PMERJ foi compartilhado conforme as normas estabelecidas, rebatendo a tese de que haveria omissão ou atraso proposital na entrega dos dados solicitados pela justiça brasileira.
A perícia da Polícia Federal é considerada peça-chave para identificar possíveis abusos de força ou execuções durante a Operação Contenção. Com a confirmação do governo sobre a entrega, espera-se que o ministro Alexandre de Moraes valide as informações e determine a continuidade dos trabalhos técnicos. A decisão final sobre a legalidade das ações da PM e da Polícia Civil terá impacto direto nas políticas de segurança pública do Rio de Janeiro, podendo reforçar as restrições impostas pelo STF para incursões em comunidades durante períodos de alta tensão social e política.
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Fonte: News Rondônia