A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta segunda-feira (6), um pacote de medidas rigorosas para intensificar o controle sobre os medicamentos injetáveis agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras. O foco da autarquia é combater irregularidades na importação de insumos e na manipulação de ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. Segundo a agência, o volume de insumos importados no segundo semestre de 2025 cerca de 130 quilos seria suficiente para produzir 25 milhões de doses, um montante considerado incompatível com a demanda real do mercado de fórmulas magistrais.
Somente nos primeiros meses de 2026, a Anvisa realizou 11 inspeções que resultaram na interdição de oito empresas, entre farmácias de manipulação e importadoras, por falhas no controle de qualidade e problemas técnicos. O diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, destacou que o objetivo não é proibir a manipulação, mas garantir a esterilidade e a pureza dos produtos, evitando riscos graves à saúde pública, como a pancreatite tema de um alerta emitido pela agência em fevereiro. A fiscalização também mira o uso off label (fora da bula) por pacientes sem necessidade clínica.
O plano estratégico da Anvisa está estruturado em seis eixos, que incluem o aprimoramento regulatório e a revisão da Nota Técnica 200/2025, que passará a exigir rastreabilidade total desde a entrada do insumo no país até a preparação final. Além disso, a agência pretende fortalecer as medidas cautelares para suspensão imediata de autorizações de funcionamento em casos de risco iminente. Outro ponto central é a busca ativa por eventos adversos através do sistema VigiMed, integrando dados de hospitais, clínicas de estética e serviços de emergência para monitorar os efeitos do uso indiscriminado dessas substâncias.
Para equilibrar o mercado e reduzir a dependência de fórmulas manipuladas sem registro, a Anvisa priorizará a análise de 17 pedidos de registro de canetas emagrecedoras que estão em andamento. A queda da patente da semaglutida abriu caminho para novas opções genéricas e similares, que a agência pretende liberar com agilidade, desde que cumpram os requisitos de segurança. O plano também prevê a harmonização com guias técnicos de agências internacionais, como o FDA (EUA) e a EMA (Europa), e campanhas de comunicação para orientar a sociedade sobre os perigos da automedicação e das promessas de emagrecimento rápido sem supervisão médica.
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Fonte: News Rondônia