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ENTRE RAIZES E RUÍNAS: memórias vivas do Patrimônio de Humaitá

A casa já não é mais casa.
É memória.

O tempo, paciente artesão, foi cedendo espaço para a natureza, e ela silenciosa, persistente tomou de volta o que um dia lhe pertenceu. As raízes não invadiram, abraçaram. Envolveram paredes, atravessaram janelas, como quem tenta guardar, proteger, lembrar.
Ali, naquela pequena vila, onde antes havia vozes, risos e rotina, hoje existe um diálogo profundo entre o abandono e a vida. O que parecia fim tornou-se recomeço. A madeira envelheceu, o concreto cedeu… mas a vida, essa nunca foi embora.
É nesse cenário que o historiador Lourismar Barroso encontra mais do que ruínas: encontra patrimônio e pertencimento. Ao olhar para essa Vila de casas, espécie de construção centenária, onde moraram ali o senhor Carlito ( 1° tabelião de Humaitá que tinha a única bicicleta Harley Davidson) Valdo padeiro – Dona Nazaré e Edmundo Monteiro (1° preceito de Humaitá)- hoje a Vila está tomada pelas raízes de um apuizeiro, árvore muito comum na Amazônia.

O senhor Valdo Padeiro era cunhado de dona Nazaré, e a vila de casas ficava em frente à Praça da Bandeira. Para Lourismar, é preciso evocar a história dos patrimônios de Humaitá, onde o tempo também deixou suas marcas nas paredes, nas ruas e nas memórias do povo.
O senhor Valdo herdou de seu pai não apenas o ofício, mas também o apelido de “padeiro”.
O senhor Júlio Padeiro foi o pioneiro a montar uma das primeiras padarias em Humaitá, gesto simples e ao mesmo tempo grandioso, que ajudou a alimentar corpos e construir laços comunitários em uma cidade em formação.
Para o historiador Lourismar Barroso, cada casa antiga, cada vestígio esquecido em Humaitá, é uma página viva da história Amazônica. São espaços que narram ciclos de vida, de esperança, de abandono e resistência. Preservar esses patrimônios é mais do que conservar estruturas físicas, é manter viva a identidade, a cultura e as histórias que moldaram gerações.
Lourismar nos lembra que o patrimônio não vive apenas nos monumentos intactos, mas também nos vestígios, nesses lugares onde o passado insiste em permanecer, mesmo quando tudo parece ruir. É ali que a história respira, silenciosa, aguardando quem a escute.
Há uma poesia escondida nesse entrelaçar de troncos e paredes, uma lembrança de que nada é permanente, exceto a transformação.
E que, no coração da floresta, até o esquecimento floresce.
Lourísmar Barroso
Historiador/Escritor

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Fonte: News Rondônia

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