O ativista brasileiro de direitos humanos Thiago Ávila foi detido e impedido de entrar na Argentina na manhã desta terça-feira, 31 de março. Ao desembarcar no Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, acompanhado de sua esposa e da filha de menos de dois anos, o dirigente da Global Sumud Flotilla teve o ingresso negado sob alegações de problemas no passaporte. No entanto, apoiadores e parlamentares locais afirmam que a ordem de deportação partiu do alto escalão do governo de Javier Milei por motivações ideológicas.
Ávila viajaria para participar de debates sobre o apoio internacional a comunidades na Faixa de Gaza, após cumprir agenda no Uruguai. Segundo a Global Sumud Flotilla Brasil, o ativista foi separado de sua família e encaminhado a uma delegacia, onde policiais teriam afirmado que ele “não era bem-vindo” no país. O governo de Milei, conhecido pelo alinhamento irrestrito a Israel e aos Estados Unidos, não emitiu nota oficial sobre o incidente até o momento, mas a ação gerou forte reação de movimentos sociais argentinos.
Após se recusar a ser deportado imediatamente de volta ao Uruguai, Ávila negociou sua transferência para o Aeroporto de Ezeiza. De lá, ele deve seguir viagem nesta quarta-feira, 1º de abril, rumo a Barcelona, destino que já constava em seu roteiro original. O episódio é mais um capítulo na trajetória conturbada do ativista, que no ano passado foi capturado por forças militares israelenses junto a outros brasileiros enquanto tentava entregar ajuda humanitária por via marítima em território palestino.
A detenção em Buenos Aires repercutiu internacionalmente como um sinal do endurecimento das políticas migratórias argentinas contra militantes de causas humanitárias críticas ao Estado de Israel. A defesa de Thiago Ávila classificou o ato como uma violação aos direitos de livre circulação e uma tentativa de silenciar vozes que denunciam crimes de guerra. O Itamaraty ainda não se manifestou formalmente sobre a assistência consular prestada ao cidadão brasileiro e sua família durante o período de retenção.
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Fonte: News Rondônia