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Ex-presidente da Petrobras alerta para insegurança energética do Brasil diante da guerra

O ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, avalia que o atual conflito no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz evidenciam uma fragilidade estrutural do Brasil: a insegurança energética. Em entrevista à Agência Brasil, o especialista destacou que, embora o país seja um grande produtor de óleo bruto, a estagnação do parque de refino nacional impede o atendimento pleno da demanda interna por derivados como diesel e gás de cozinha. Segundo ele, o Brasil depende da importação de até 30% do diesel consumido, ficando refém das oscilações de preços internacionais.
Gabrielli, que presidiu a estatal entre 2005 e 2012, aponta que o projeto de expansão das refinarias foi inibido na última década. Ele argumenta que, historicamente, grandes petroleiras estrangeiras e interesses de importadores pressionaram contra a autossuficiência no refino. Com o novo choque do petróleo, a solução de curto prazo recai inevitavelmente sobre o ajuste de preços domésticos, já que a construção de novas unidades industriais de processamento de combustível leva, no mínimo, cinco anos para ser concluída.
Geopolítica e a transição para o hidrogênio
A guerra deve redesenhar a geografia do comércio de óleo, com Brasil, Guiana e Canadá assumindo papel de destaque no suprimento para China e Índia. Gabrielli observa que o petróleo brasileiro possui alta adaptabilidade às refinarias chinesas, o que deve fortalecer os laços comerciais entre os dois países. Contudo, ele alerta que o uso do dólar como moeda soberana nas transações está sendo desafiado pelo Irã, que passou a exigir pagamentos em yuans para permitir a passagem pelo Estreito de Ormuz.
Paralelamente à crise dos fósseis, Gabrielli lançou o livro “Economia do Hidrogênio”, onde defende que a descarbonização da indústria pesada depende dessa nova matriz. Para o ex-dirigente, o hidrogênio verde deve dominar o mercado por volta de 2035, mas as decisões de investimento precisam ser imediatas. Ele ressalta que o hidrogênio é a chave para produzir combustíveis sintéticos, como gasolina e querosene de aviação, sem a necessidade de petróleo, garantindo uma transição energética sustentável a longo prazo.
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Fonte: News Rondônia

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