A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou na sexta-feira (27), a criação de um grupo de trabalho emergencial para estabelecer um corredor comercial seguro no Estreito de Ormuz. A medida busca mitigar os impactos da guerra contra o Irã, que já provoca interrupções no fornecimento global de insumos básicos. Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, a interrupção da navegação na região eleva o risco de escassez de alimentos e crises humanitárias em escala mundial.
O projeto será comandado pelo subsecretário-geral Jorge Moreira da Silva, diretor executivo do Unops. A iniciativa se inspira em modelos de sucesso anteriores, como o corredor de grãos do Mar Negro, utilizado para escoar a produção da Ucrânia. A força-tarefa iniciará consultas imediatas com os Estados-membros para operacionalizar a passagem de navios carregados com fertilizantes e energia, itens fundamentais para a estabilidade econômica de diversos países.
Especialistas do Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertam para um cenário crítico caso as hostilidades se prolonguem até junho. A análise indica que dezenas de milhões de pessoas podem enfrentar fome aguda devido à alta nos preços dos alimentos e à falta de fertilizantes para novas safras. O bloqueio atinge diretamente a base da produção agrícola global, ameaçando reverter anos de progresso no combate à pobreza em nações em desenvolvimento.
A ONU reforçou o apelo para que as nações envolvidas no conflito priorizem o apoio a este mecanismo humanitário. O aumento nos custos de logística e energia gera um efeito cascata que encarece a cesta básica em todo o planeta. No Brasil, o setor produtivo monitora as negociações em Nova York com atenção, já que a fluidez em Ormuz é determinante para o custo de produção da agropecuária nacional e para o preço final dos alimentos ao consumidor.
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Fonte: News Rondônia