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Entre o papel e a prática: reestruturação da UNIR gera críticas e incertezas na comunidade

Em dezembro de 2025, uma mudança na estrutura da Universidade Federal de Rondônia (Unir) passou a integrar o novo estatuto da instituição. Com a aprovação pelo conselho, a Resolução nº 847 estabeleceu um novo panorama institucional. No documento, os departamentos e setores, antes ligados aos cursos, foram extintos, dando lugar à permanência das “faculdades”, que passaram a ser integradas a esse novo modelo estrutural. A medida, que já vinha gerando incertezas internas, passou também a abranger todo o quadro docente e técnico.
A partir de agora, docentes e discentes passam a se vincular a essa nova organização. Na prática, a mudança define que os cursos terão coordenadores atuando na função executiva, sob a gestão dos colegiados de curso.

Embora a reestruturação institucional já tenha sido formalizada, o processo segue sendo objeto de questionamentos no âmbito da própria universidade. Segundo a professora Dra. Walterlina Brasil, que utilizou suas redes sociais para se posicionar criticamente, persistem lacunas importantes na implementação das mudanças, especialmente no que se refere à definição de etapas estruturantes, como a vinculação dos docentes aos cursos e os critérios que efetivamente os caracterizam como integrantes dessas unidades acadêmicas.


Segundo a pesquisadora, após a regulamentação, as faculdades terão prazo de 180 dias para serem instituídas. Além disso, dentro de 60 dias, conforme a Resolução nº 871, deverão ser confirmadas as CDS, FGS e FC que serão concedidas à universidade.

As críticas se aprofundam sobretudo na dimensão da aplicabilidade das mudanças. Segundo Walterlina Brasil, observa-se um evidente descompasso entre a formalização normativa das reformas e sua efetiva materialização no cotidiano institucional, que permanece ancorado em práticas e estruturas herdadas, mesmo após a extinção dos departamentos. “Os departamentos morreram no papel, mas continuam vivos na prática. As faculdades nasceram no papel, mas não existem na prática. Os professores e acredito que os técnicos também, estão em um ‘limbo’ institucional: pertencem a uma estrutura que não funciona e trabalham em uma estrutura que não existe mais. É fato jurídico que as faculdades existem, que as novas estruturas existem, que o regimento existe.”

Outro ponto de crítica diz respeito à condução do processo. De acordo com a docente, as alterações ocorreram sem o devido conhecimento prévio da comunidade acadêmica, o que, segundo ela, não é um fato isolado dentro da instituição. Alterações vêm sendo implementadas sem que estudantes e até mesmo servidores consigam compreender plenamente as decisões adotadas pela gestão atual.

Um exemplo citado foi a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no início de março. Durante a passagem pelo campus, alunos e professores relataram insatisfação, apontando falta de comunicação e de interação entre a gestão e a comunidade acadêmica. Para muitos, a condução é vista como isolada, com informações pouco divulgadas para o público interno, dificultando a compreensão ampla das mudanças, especialmente no campus José Ribeiro Filho, em Porto Velho. “A Unir está vivendo esse tempo de transição, que para uma grande maioria tenho percebido como bem-vindo, mas sem um planejamento profundo, onde a norma e a realidade podem entrar em conflito. São mais de 70 resoluções que foram revogadas, enquanto outras ainda vigem com base na lógica dos departamentos, estrutura que, na prática, já não existe.”

Por fim, Walterlina reforça que a mudança representa mais do que uma reorganização administrativa. “Isso não é burocracia, gente; isso é político, é poder, é identidade acadêmica. Isso é o futuro da universidade, que foi decidido sem a devida clareza dos fatos, sem um olhar da comunidade acadêmica do presente e sem que haja transparência suficiente para que esse processo pertença, de fato, a toda a comunidade.”, finaliza.

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Fonte: News Rondônia

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