Uma em cada quatro estudantes adolescentes no Brasil já foi vítima de alguma forma de violência sexual, abrangendo desde toques e beijos forçados até a exposição de partes íntimas sem consentimento. O dado alarmante consta na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo IBGE. O levantamento ouviu quase 120 mil alunas de 13 a 17 anos em instituições públicas e privadas, revelando um crescimento preocupante nos índices de abuso e importunação sexual em comparação ao último estudo realizado em 2019.
A pesquisa detalha ainda que 11,7% das entrevistadas relataram ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais. Embora estudantes de ambos os gêneros tenham reportado abusos somando mais de 3,3 milhões de vítimas no total, a proporção de meninas violentadas é o dobro da registrada entre os meninos. O IBGE destaca que a segmentação das perguntas em “assédio” e “relação forçada” foi uma estratégia para ajudar os jovens a identificarem atos criminosos que, muitas vezes, não são percebidos como violência devido a fatores culturais ou falta de informação.
Perfil dos Agressores e Vulnerabilidade
Os dados sobre a autoria dos crimes revelam que o perigo reside majoritariamente dentro de casa ou no convívio social próximo. Nos casos de relações forçadas, cerca de 57,7% dos agressores são familiares (pais, padrastos ou outros parentes) ou amigos. Namorados e ex-namorados aparecem em 22,6% dos relatos. A idade das vítimas no momento do crime também acende um alerta: 66,2% dos adolescentes que sofreram relações forçadas tinham 13 anos ou menos, idade em que a lei brasileira tipifica qualquer ato sexual como estupro de vulnerável.
A vulnerabilidade é acentuada pela rede de ensino. Estudantes de escolas públicas relataram relações forçadas com mais frequência (9,3%) do que alunos da rede privada (5,7%). Além do impacto físico, a pesquisa correlaciona esses abusos a outros quadros graves, como o bullying e a deterioração da saúde mental entre os jovens, reforçando a necessidade de políticas públicas de proteção que integrem educação, saúde e segurança dentro do ambiente escolar e doméstico.
Gravidez e Prevenção na Adolescência
O estudo também mapeou as consequências da iniciação sexual precoce e da violência. Cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram ao menos uma vez, sendo que a imensa maioria (98,7%) frequenta a rede pública de ensino. Estados como o Amazonas registram taxas críticas, onde 14,2% das estudantes que já iniciaram a vida sexual passaram por uma gestação. O uso de métodos preventivos tem caído: apenas 57,2% dos jovens usaram camisinha na relação mais recente, um recuo em relação à primeira experiência sexual.
Outro ponto de atenção é o uso recorrente da pílula do dia seguinte, mencionada por quatro em cada dez adolescentes como método utilizado ao menos uma vez. Embora os dados mostrem que o início da vida sexual tem ocorrido de forma ligeiramente mais tardia em comparação a 2019, a idade média de iniciação ainda flutua em torno dos 14 anos, o limite legal do consentimento. O IBGE reforça que o cenário exige uma revisão urgente das estratégias de educação sexual e conscientização sobre direitos reprodutivos para frear o ciclo de violência e gravidez indesejada.
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Fonte: News Rondônia