O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a 10ª Cúpula da Celac e o I Fórum Celac-África, realizados em Bogotá no último sábado (21), para consolidar alianças estratégicas em duas frentes: a integração latino-americana e a cooperação Sul-Sul com o continente africano. Em reunião bilateral com o presidente colombiano Gustavo Petro, os líderes reiteraram a necessidade de fortalecer instâncias multilaterais para enfrentar crises geopolíticas. Petro confirmou sua participação no evento “Democracia contra o Extremismo”, marcado para abril em Barcelona, sinalizando uma frente comum contra movimentos radicais na região.
No campo da diplomacia global, Lula lançou uma ofensiva pelo protagonismo feminino na governança internacional ao defender a candidatura da ex-presidenta chilena Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral da ONU. O presidente brasileiro argumentou que, após 80 anos, é o momento de a organização ser liderada por uma mulher da América Latina e Caribe. Em contrapartida, o presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, recém-eleito presidente da União Africana, indicou seu apoio ao ex-presidente do Senegal, Macky Sall, evidenciando as negociações que devem pautar a sucessão nas Nações Unidas.
Cooperação Agrícola e Combate à Fome
A agenda com a comitiva do Burundi também focou em resultados práticos para o desenvolvimento rural. Lula celebrou a adesão do país africano à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e destacou a importância estratégica da instalação de um escritório da Embrapa em Adis Abeba, na Etiópia. A iniciativa visa exportar tecnologia agrícola brasileira para o continente africano, promovendo a segurança alimentar e criando oportunidades de cooperação técnica no setor agropecuário.
Os encontros reforçam a estratégia do governo brasileiro de atuar como ponte entre blocos regionais, aproveitando a transição da presidência da Celac da Colômbia para o Uruguai. Para o Itamaraty, o fortalecimento do diálogo com a União Africana é essencial para reformar as instituições financeiras e políticas globais, garantindo que as demandas do “Sul Global” tenham peso nas decisões sobre clima, economia e direitos humanos nos próximos anos.
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Fonte: News Rondônia