A Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta uma semana decisiva que pode selar seu destino como principal reguladora das trocas globais. Diplomatas e autoridades de alto escalão alertaram, nesta sexta-feira (20), que a falta de um consenso sobre a reforma da entidade na reunião de Yaoundé (Camarões) forçará as nações a buscarem acordos de livre comércio fragmentados e paralelos. O encontro ocorre sob a sombra de um sistema de solução de controvérsias paralisado há seis anos e uma crescente descrença na eficácia do órgão sucessor do GATT.
O cenário geopolítico agrava a paralisia em Genebra. A guerra entre Estados Unidos/Israel e o Irã, que já interrompeu fluxos vitais de energia no Oriente Médio, projeta uma recessão na economia global que a OMC parece incapaz de mitigar. Somado a isso, a política de imposição de tarifas agressivas do presidente norte-americano, Donald Trump, desafia frontalmente as normas de não discriminação que fundamentam a organização, intensificando o racha entre as grandes potências e as economias dependentes de exportação.
Obstáculos e o “Plano B” Europeu
Embora a maioria dos membros concorde com a necessidade urgente de modernização, as divergências sobre o roteiro de reformas são profundas. O ministro do Comércio da Suécia, Benjamin Dousa, foi enfático ao afirmar que, caso Yaoundé não produza resultados concretos, a União Europeia será incentivada a seguir caminhos alternativos. Essa “rota paralela” significa o fortalecimento de blocos regionais e tratados bilaterais, o que pode levar a um mundo com regras comerciais conflitantes e maior custo de transação para as empresas.
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Fonte: News Rondônia

