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EM LINHA RETA – Quando a desconfiança fala mais alto que a política – Por Alan Drumond

Nos últimos meses, muito se falou sobre a possibilidade de o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha, deixar o cargo até o início de abril para disputar uma vaga no Senado em 2026. Seria um movimento natural dentro do jogo político; sair do governo, abrir espaço para o vice assumir e entrar na disputa eleitoral com força.

Mas, ao que tudo indica, isso não deve acontecer.

E o motivo tem nome: Sérgio Gonçalves.

Nos corredores do poder nunca foi segredo que a relação entre governador e vice se deteriorou ao longo do tempo. A confiança, elemento básico em qualquer parceria política, simplesmente deixou de existir. Marcos Rocha já deixou claro a aliados que não se sente seguro em entregar o comando do Estado nas mãos do próprio vice.

O problema é que Sérgio Gonçalves nunca escondeu o tipo de postura que adotaria ao assumir o governo. Em diversas ocasiões, deixou transparecer que não faria uma transição tranquila. Pelo contrário, a impressão que ficou para o grupo do governador é que o vice governaria em confronto direto com quem o colocou na posição.

Na política, confiança é moeda. Quando ela acaba, todo o resto perde valor.

Diante desse cenário, Marcos Rocha prefere abrir mão de uma possível candidatura ao Senado a entregar o governo a alguém em quem não confia. Para ele, o risco de ver seu próprio projeto político enfraquecido pesa mais do que a oportunidade de disputar uma vaga em Brasília.

A avaliação dentro do próprio grupo do governador é simples: assumir o governo por alguns meses pode dar ao vice uma estrutura poderosa, capaz de influenciar o jogo eleitoral e, principalmente, criar dificuldades para quem hoje ocupa o Palácio Rio Madeira.

No fim das contas, a política é feita de estratégia, mas também de leitura de risco.

E, nesse tabuleiro, Marcos Rocha parece ter tomado uma decisão clara, prefere continuar sentado na cadeira de governador a permitir que um adversário interno passe a ocupá-la.

Às vezes, o maior erro na política não é o movimento que se faz.

É o jogo que se deixa transparecer antes da hora.


Fonte: JH Notícias

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