Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Léo Moraes “institui” ditadura no Podemos
“Eu faço do meu jeito. O Podemos tem líder absoluto”, diz prefeito de Porto Velho, que não é fã do diálogo; Chefe do Executivo começa a tropeçar nas próprias promessas, como a Guarda Municipal

Repetição
Quem acompanha de perto a trajetória política de Léo Moraes (Podemos) costuma repetir a mesma observação, quase como um mantra dos bastidores: diálogo pode até existir, mas raramente ocupa o centro da mesa. Construção coletiva? Só se for para confirmar o que já estava decidido. Divisão de espaço? Bem… essa parte parece ter ficado fora do manual.
Agressivo
O estilo, dizem aliados e ex-aliados, sempre foi o mesmo: concentrar poder. E concentrar bastante. Talvez por isso, apesar de anos de vida pública, Léo ainda não tenha conseguido formar aquele grupo político robusto, fiel e coeso que costuma sustentar projetos de longo prazo.
Historinha
Nos corredores da política local, a comparação que mais circula é digna de fábula. A velha história do escorpião e do sapo. O escorpião promete que não vai ferroar durante a travessia do rio… mas, no meio do caminho, faz exatamente o que sua natureza manda.
Fragilidade
Durante o governo de Marcos Rocha (PSD), Léo teve protagonismo no Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia (Detran). Hoje, a ponte política entre os dois parece tão sólida quanto uma passarela de gelo sob sol do meio-dia. Durabilidade nunca foi exatamente a principal característica dessas relações.
Ditador?
O padrão também aparece dentro da própria base. O atrito entre Rodrigo Camargo e delegado Flori não caiu do céu. Nos bastidores, a leitura é quase consensual: manter todos orbitando em torno do centro do poder. E esse centro, claro, tem endereço definido. A lógica seria simples: dividir forças, administrar tensões e garantir que ninguém cresça demais sem autorização prévia. Quem quiser espaço… alinha. Quem quiser influência… agradece.

“Manin”
Enquanto isso, outro projeto começa a ganhar tração silenciosa. Ou nem tão silenciosa assim. Nos corredores administrativos, o nome de Paulo Moraes começa a aparecer com frequência cada vez maior. Coincidência ou planejamento estratégico, alguns movimentos da máquina pública parecem preparar o terreno.
Falhas
Várias secretarias municipais seguem funcionando de forma capenga, com adjuntos que viraram titulares (interinos) e outras sem adjuntos há meses e meses… Veja a lista: Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMA) sem adjunto; Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) sem titular; Secretaria Municipal de Administração (Semad) sem adjunto; Secretaria Municipal de Educação (Semed) sem adjunto; Secretaria Municipal de Trânsito (Semtran) sem adjunto e Secretaria Municipal de Agricultura (Semagric) sob expectativa de rearranjo.
Bagunça
Para alguns observadores, parece quase um “estoque estratégico” de cargos aguardando uso político. Uma espécie de tabuleiro em pausa, esperando o momento certo para mover as peças. Há ainda outro ponto que vem sendo repetido em diferentes análises: o uso da comunicação institucional.
Personalidade
Críticos da gestão afirmam que a estrutura pública estaria sendo utilizada para impulsionar a imagem pessoal do prefeito. Nos bastidores da Prefeitura de Porto Velho, comenta-se sobre um núcleo de comunicação informal dedicado à gestão das redes pessoais do prefeito, apelidado por alguns de “bunker digital”.
Aquele camarada
A equipe seria coordenada por Anderson Parente (sempre citado por esta coluna por NÃO ENTENDER NADA DE MARKETING NEM DE JORNALISMO), frequentemente descrito por colegas como admirador de certos modelos agressivos de comunicação política. Tudo, segundo as críticas, financiado com recursos da própria estrutura municipal. E lembrando que ele adora copiar e adaptar conteúdos conhecidos da internet para o chefinho Leozinho.
Ajuda pública
Ou seja: comunicação institucional que, em determinados momentos, parece mais marketing político com CNPJ público. Agora, dizem observadores, o roteiro avançaria para uma fase mais explícita. A máquina administrativa começaria a funcionar também como plataforma para um projeto eleitoral familiar. E essa percepção não parte apenas de um lado do debate.
Dedo na ferida
O colunista Alan Alex já apontou o estilo centralizador do prefeito. Robson Oliveira descreveu um ambiente político marcado por tensões controladas. Herbert Lins analisou comportamento semelhante ao tratar do perfil do gestor. Já Carlos Caldeira destacou, em vídeo, o mesmo padrão de concentração de poder.
Quem manda SOU EU
Coincidência? Talvez. Mas quando diferentes observadores chegam a diagnósticos parecidos, a situação começa a parecer menos impressão isolada e mais característica recorrente. Enquanto isso, no simbólico Prédio do Relógio, o tabuleiro segue armado. A máquina gira. As peças se reposicionam. E, no centro da mesa, como em qualquer partida bem planejada, há sempre um projeto maior aguardando o próximo movimento.
Promessa sem fim
A criação da Guarda Municipal de Porto Velho foi aprovada oficialmente pela Câmara de Vereadores em maio de 2025, por meio da Lei Complementar nº 1.012. Desde então, porém, a iniciativa permanece mais próxima de uma promessa de campanha do que de uma realidade nas ruas da capital.
Promessa sem fim 2
Durante a campanha eleitoral, o prefeito Léo Moraes afirmou que os futuros agentes municipais atuariam ainda no primeiro ano de gestão. O calendário político, no entanto, parece ter corrido em velocidade diferente: passados quase 15 meses de mandato, a Guarda Municipal continua restrita ao campo das expectativas.
Blá-blá-blá
Recentemente, o tema voltou à pauta (como não poderia deixar de ser) nas redes sociais do próprio prefeito. Segundo ele, o processo teria avançado, com o edital praticamente pronto e a empresa organizadora do concurso já definida. Até aqui, tudo ótimo. O detalhe curioso é que a realização do concurso ficaria para depois das eleições. Coincidência, certamente.
Passado de fábula
Para alguns observadores mais atentos à dramaturgia política, a situação lembra personagens clássicos das antigas novelas brasileiras. Difícil não recordar o lendário prefeito Odorico Paraguassu, de O Bem-Amado, governante fictício da cidade de Sucupira que também tinha uma habilidade peculiar para promessas grandiosas e prazos elásticos. Evidentemente, qualquer semelhança com a vida real é (como sempre) mera coincidência.
Coligado com o povo?
Ninguém imagina, por exemplo, que uma promessa tão aguardada pela população pudesse ser utilizada para influenciar o cenário eleitoral que se aproxima. Seria apenas especulação pensar que o tema pudesse ajudar na eleição do irmão do prefeito, Paulo Moraes, já declarado pré-candidato a deputado estadual, ou fortalecer aliados políticos ligados ao Podemos em disputas futuras.
Enrolando o povo…
Ainda mais considerando que o próprio prefeito tem defendido publicamente a formação de uma chamada “chapa sangue puro” para o governo estadual. Tudo, claro, dentro do mais elevado espírito republicano. De toda forma, prometer um concurso público que mobiliza interesse popular (e que, por coincidência, também rende capital político) sempre gera debate.
Deixa pra depois
Ainda mais quando o anúncio se prolonga por meses enquanto a execução segue cuidadosamente estacionada na próxima curva do calendário. Para um político que se apresenta como jovem e inovador, a estratégia pode soar, no mínimo, curiosa. Afinal, entre a promessa e a realização existe um espaço delicado chamado coerência. Enquanto isso, a Prefeitura afirma que o processo administrativo segue em andamento.
Situação
A administração municipal informa que está na fase final de contratação da banca organizadora. Em janeiro de 2026, o prefeito confirmou que os trâmites legais para definição da empresa responsável estavam em curso.
Previsões
O que está previsto: vagas: cerca de 500 no total, com aproximadamente 200 para provimento imediato; remuneração: salário inicial estimado em torno de R$ 4 mil, podendo chegar a cerca de R$ 8,8 mil com gratificações e adicional de periculosidade; requisitos: formação em nível superior e Carteira Nacional de Habilitação nas categorias A e B.
Será que vai?
Agora resta acompanhar os próximos capítulos dessa história, que ao que tudo indica, promete ter mais episódios do que temporada de novela clássica. E, como diria qualquer eleitor atento: estamos de olho. Ainda mais caso o “maninho” do prefeito não consiga a tão sonhada vaga na Assembleia Legislativa de Rondônia…
*Esta coluna foi escrita com informações publicadas pela Coluna da Hora, escrita por Géri Anderson, no mês de fevereiro.
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