O Brasil busca ampliar parcerias com países da Europa para explorar minerais críticos e terras raras, recursos considerados estratégicos para setores como transição energética, tecnologia e defesa. A estratégia foi destacada pelo embaixador brasileiro na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, durante encontro com jornalistas na cidade de Hannover.
A declaração ocorreu durante evento de apresentação da Hannover Messe 2026, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que será realizada entre 20 e 24 de abril.
Segundo o diplomata, a intenção brasileira é fortalecer relações econômicas com países europeus, especialmente diante do avanço do Acordo de Livre Comércio Mercosul–União Europeia. No entanto, o Brasil busca mais do que exportar matéria-prima.
“É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos. Precisamos pensar em agregação de valor no Brasil, participação na cadeia de suprimentos e transferência de tecnologia”, afirmou o embaixador.
Minerais estratégicos para tecnologia e energia
Os chamados minerais críticos são elementos fundamentais para diversas indústrias de alta tecnologia e para a produção de energia limpa. Entre eles estão lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e terras raras.
Esses recursos são utilizados na fabricação de baterias, motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos aeroespaciais, incluindo satélites e foguetes.
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, o Brasil possui reservas expressivas desses materiais. O país concentra 94% das reservas globais de nióbio, cerca de 26% da grafita e 12% do níquel, além de aproximadamente 23% das reservas mundiais de terras raras.
Mesmo com essa riqueza mineral, o país ainda não é um dos principais líderes na extração e no refino desses elementos.
Feira industrial terá Brasil como parceiro
A Hannover Messe deste ano terá o Brasil como país parceiro, com cerca de 140 expositores brasileiros apresentando tecnologias e soluções industriais. O evento reúne empresas e representantes de centenas de países e é considerado uma das principais vitrines globais de inovação industrial.
Durante a feira, o governo brasileiro pretende promover um evento paralelo para apresentar as potencialidades do país na exploração de minerais críticos e ampliar a cooperação internacional no setor.
Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia
A busca por cooperação ocorre no momento em que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia avança para implementação. O tratado prevê a criação de uma zona de livre comércio envolvendo mais de 720 milhões de pessoas.
Pelo acordo, o Mercosul deverá zerar tarifas sobre 91% dos produtos europeus que chegam à América do Sul em até 15 anos, enquanto a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% das exportações do bloco sul-americano em até 12 anos.
Apesar de resistências em alguns países europeus, como a França, a Alemanha é considerada uma das principais defensoras do acordo.
Relação econômica entre Brasil e Alemanha
O fortalecimento da parceria também passa pela relação bilateral entre Brasil e Alemanha. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o comércio entre os dois países movimentou cerca de US$ 20,9 bilhões em 2025.
A Alemanha é atualmente o terceiro maior fornecedor de produtos para o Brasil e um dos principais investidores estrangeiros no país, com cerca de 40 bilhões de euros em investimentos diretos e mais de mil empresas alemãs instaladas em território brasileiro.
Para o embaixador Rodrigo Baena Soares, a cooperação entre os dois países pode impulsionar a industrialização e fortalecer a presença do Brasil nas cadeias globais de tecnologia e energia.

