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22 milhões de assembleianos e menos de 4 milhões de revistas: quem está ensinando o restante?

Números relacionados à Escola Bíblica Dominical levantam debate sobre o alcance da formação bíblica nas Assembleias de Deus

A dimensão da Assembleia de Deus no Brasil contrasta com os números relacionados à circulação das revistas utilizadas na Escola Bíblica Dominical (EBD). A denominação reúne milhões de fiéis e possui uma das maiores estruturas de educação cristã do país. Ao mesmo tempo, dados divulgados sobre a produção trimestral de revistas da CPAD – Casa Publicadora das Assembleias de Deus levantam uma questão que merece ser analisada com atenção: quantos assembleianos estão, de fato, inseridos regularmente no processo de ensino bíblico oferecido pelas igrejas?
A CPAD mantém uma ampla estrutura editorial e produz milhões de exemplares de revistas a cada trimestre para diferentes faixas etárias e classes da Escola Dominical. Trata-se de uma operação editorial de grande dimensão e que exerce papel histórico na formação bíblica de milhares de membros das Assembleias de Deus.
Uma reportagem já mencionou uma tiragem trimestral superior a 2,2 milhões de exemplares. Em outra ocasião, o pastor Raul Cavalcante teria relatado ter recebido a informação de aproximadamente 3,7 milhões de revistas.
Se esses números forem comparados, de maneira meramente matemática, com uma estimativa de 20 milhões de assembleianos, o resultado chama a atenção: mesmo considerando a quantidade mais elevada de 3,7 milhões, haveria menos de uma revista para cada cinco pessoas.
Mas essa comparação precisa ser feita com cautela.
Revista não é sinônimo de aluno
O número de revistas impressas não corresponde automaticamente ao número de alunos matriculados ou presentes na Escola Dominical.
Um exemplar pode ser utilizado por mais de uma pessoa. Há alunos que frequentam as aulas sem adquirir individualmente a revista, enquanto outros podem utilizar materiais digitais ou conteúdos preparados pelos próprios professores.
Além disso, as publicações da CPAD não são necessariamente destinadas exclusivamente às Assembleias de Deus no Brasil. Elas também podem alcançar professores, outras denominações, leitores individuais e comunidades de outros países.
Por isso, tiragem de revistas não pode ser utilizada como um censo da Escola Bíblica Dominical.
Ainda assim, os números podem funcionar como um indicador que merece atenção.
Uma declaração que provoca reflexão
A discussão ganha ainda mais relevância diante de uma declaração atribuída ao pastor Raul Cavalcante:

“A Assembleia de Deus não está indo para a Escola Bíblica.”

A afirmação, independentemente da interpretação que se dê a ela, coloca em pauta um problema que ultrapassa a simples venda ou distribuição de revistas: o nível de participação dos membros na formação bíblica oferecida pelas igrejas.
Se existe uma percepção de redução na participação da EBD, é necessário compreender as razões.
É falta de interesse dos membros?Os horários das classes dificultam a participação?As metodologias utilizadas precisam ser atualizadas?Falta capacitação para os professores?Os jovens estão sendo alcançados?As famílias estão participando?As igrejas estão acompanhando os índices de frequência?
São perguntas que não podem ser respondidas apenas pela quantidade de revistas impressas.
Quantos estão realmente na Escola Dominical?
Para compreender a situação de maneira mais precisa, seria necessário conhecer indicadores como número de matriculados, frequência média semanal, quantidade de classes em funcionamento, número de professores, taxa de evasão e participação por faixa etária.
Esses dados permitiriam identificar não apenas o tamanho da estrutura, mas principalmente sua efetividade.
Uma denominação que reúne milhões de fiéis precisa conhecer a realidade de suas escolas, seus professores e seus alunos. Afinal, a quantidade de pessoas que frequentam os cultos não necessariamente representa a quantidade de pessoas que estão recebendo formação bíblica sistemática.
O desafio da formação cristã
A questão central, portanto, não é saber simplesmente quantas revistas são impressas.
A pergunta mais importante é: quantas pessoas estão sendo efetivamente ensinadas?
A Escola Bíblica Dominical ocupa historicamente um lugar importante na formação cristã das Assembleias de Deus. É nela que crianças, adolescentes, jovens e adultos têm a oportunidade de estudar a Bíblia de maneira organizada e sistemática.
Em um período marcado pela enorme quantidade de informações disponíveis nas redes sociais, vídeos e plataformas digitais, o desafio da igreja não é apenas reunir pessoas, mas também formá-las biblicamente.
A igreja pode ter grandes cultos, templos lotados e milhares de seguidores nas redes sociais. Porém, o crescimento numérico não substitui a necessidade de ensino, discipulado e formação doutrinária.
Mais do que números
A discussão sobre os milhões de revistas produzidas pela CPAD precisa, portanto, ser vista dentro de um contexto maior.
Tiragem não é matrícula. Matrícula não é frequência. E frequência, por si só, também não significa aprendizado.
O verdadeiro desafio está em saber se o conteúdo bíblico está chegando às pessoas e produzindo conhecimento, maturidade espiritual e compromisso com a Palavra de Deus.
Se há milhões de assembleianos e apenas uma parcela participa regularmente da Escola Dominical, o problema não deve ser tratado apenas como uma questão editorial.
É uma questão pastoral, educacional e espiritual.
A pergunta que permanece é simples, mas profunda:
Se milhões pertencem à igreja, mas apenas uma parcela participa regularmente da Escola Bíblica Dominical, quem está ensinando o restante?
Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que as Assembleias de Deus precisam enfrentar nos próximos anos.
Não basta reunir multidões. É necessário ensinar, discipular e formar cristãos profundamente comprometidos com a Palavra de Deus.

Texto: Moiseis Oliveira da Paixão com informações da ebdnext


Fonte: Tribuna Popular

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