O ex-vereador Jabá Moreira, atualmente assessor do governo de Rondônia, protagonizou nos últimos dias um episódio que escancara as contradições, o oportunismo e a insensibilidade que marcam sua trajetória política. Em áudios e vídeos divulgados nas redes sociais, ele demonstrou crueldade ao zombar da situação de saúde do Presidente Jair Bolsonaro, ironizando uma queda grave da cama durante a custódia pela Polícia Federal — queda que trouxe consequências sérias à saúde de um homem já idoso e debilitado.
A insensibilidade ganha contornos ainda mais chocantes quando se considera o histórico de saúde de Bolsonaro: um homem que sobreviveu a um atentado brutal durante a campanha presidencial de 2018, quando foi esfaqueado e quase perdeu a vida, e que desde então passou por diversas intervenções cirúrgicas. A zombaria de Jabá não foi dirigida a um político qualquer, mas a um idoso com saúde fragilizada, preso político condenado não por crimes que efetivamente cometeu, mas por atos de vandalismo praticados por terceiros e por um suposto golpe de Estado que nunca existiu.
O que Jabá desconsiderou é que, enquanto assassinos, estupradores e integrantes de facções criminosas enfrentam penas que variam, na prática, de 6 a 20 anos — muitas vezes com benefícios de progressão rápida —, os presos políticos do 8 de janeiro, em sua maioria réus primários e desarmados, receberam sentenças brutais que chegam a ultrapassar 20 anos de cárcere. Essa disparidade abissal escancara uma aberração jurídica onde o vandalismo e a mera presença em prédios públicos são punidos com muito mais rigor do que crimes hediondos contra a vida, revelando que a justiça no Brasil abandonou a proporcionalidade para atuar movida por revanchismo ideológico.
Perseguição judicial e prisão política
Bolsonaro foi condenado por um juiz que muitos brasileiros consideram um ditador de toga, em decisões que atribuem ao Presidente responsabilidade por ações de terceiros e por uma tentativa de golpe jamais comprovada. A prisão de Bolsonaro é vista por milhões de brasileiros — incluindo a esmagadora maioria dos eleitores de Rondônia — como uma perseguição política orquestrada para silenciar o principal líder da oposição no país.
Neste contexto, as manifestações de Jabá Moreira não são apenas insensíveis: são cruéis e desumanas. Zombar da queda grave de Bolsonaro, preso por motivações políticas, revela ausência completa de empatia e de qualquer senso de dignidade humana — princípios que deveriam ser inegociáveis para qualquer servidor público.
O mais grave: Jabá é assessor de um governador eleito justamente na esteira do apoio bolsonarista. Marcos Rocha conquistou dois mandatos consecutivos graças ao suporte político e eleitoral de Bolsonaro. Como explicar aos eleitores conservadores de Rondônia que um assessor governamental, pago com dinheiro público, zomba publicamente do líder político que viabilizou a própria eleição de seu patrão?
Contradições notórias e oportunismo escancarado
A trajetória de Jabá Moreira é um manual de oportunismo político. Ex-militante ligado ao PT em períodos anteriores, ele migrou abruptamente para o campo oposto sem explicações convincentes, aceitando um cargo de assessor em um governo eleito exclusivamente por eleitores conservadores e de direita — o campo político majoritário em Rondônia.
Já era surpreendente, desde o início, a nomeação de um ex-petista para cargo de confiança em um governo cuja legitimidade se fundamenta no apoio de Bolsonaro. A resposta para esse paradoxo não está em uma conversão ideológica genuína, mas em puro cálculo de conveniência e sobrevivência política ou econômica.
O episódio recente apenas confirma o que muitos já suspeitavam: Jabá não possui coerência programática nem princípios éticos estáveis. Seu alinhamento ideológico varia conforme o contexto e o vínculo funcional, em um comportamento claramente orientado pela preservação de espaço no governo, independentemente de valores ou convicções.
Como alguém com histórico petista pode aceitar cargo em um governo bolsonarista e, ao mesmo tempo, zombar da prisão política do líder que sustenta esse governo? A única resposta coerente é o oportunismo mais rasteiro.
O que o Jabá disse antes da repercussão
Em um primeiro áudio, enviado originalmente no grupo de WhatsApp de Diego Maia e divulgado posteriormente, Jabá comentou o veto a um projeto sobre regras de dosimetria penal. Ele afirmou que a proposta tinha como objetivo "reduzir penas" de pessoas que, segundo ele, tentaram um golpe de Estado. No mesmo áudio, disse considerar correto o veto e defendeu a manutenção de penas longas.
Ainda nessa gravação, Jabá comentou de forma irônica a situação do Presidente, mencionando uma suposta queda da cama enquanto Bolsonaro estaria sob custódia da Polícia Federal. Disse, em tom jocoso, que ele poderia ser transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Também fez referência às posições defendidas por Bolsonaro ao longo de sua trajetória política.
Em um segundo momento, após a repercussão negativa nas redes sociais, Jabá voltou a se manifestar. Na gravação, criticou a cobertura realizada, citando o Se Liga Rondônia, afirmou que estaria sendo alvo de perseguição política e declarou que não se sentia intimidado por críticas públicas. Disse que não se importaria com uma eventual exoneração do cargo e que continuaria expressando suas opiniões pessoais.
O que disse depois da repercussão
Após a nossa página expor o caso e os áudios circularem amplamente, gerando forte reação do público, Jabá divulgou um vídeo de retratação. Na gravação, afirmou que havia se manifestado "movido pela emoção, e não pela razão", reconhecendo que exagerou nas palavras utilizadas anteriormente.
No vídeo, pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas por suas falas, incluindo leitores e o veículo de comunicação citado indiretamente nos áudios. Declarou manter admiração por Jair Bolsonaro e afirmou ter respeito pessoal e institucional pelo governador Marcos Rocha, ressaltando que suas manifestações não representam a posição oficial do governo do Estado.
Jabá também afirmou, na retratação, que defende a democracia, a liberdade de expressão e o diálogo, e que críticas e posicionamentos públicos devem ser feitos com responsabilidade. Disse, ainda, que seguirá manifestando suas opiniões, mas reconheceu a necessidade de ponderação na forma como se expressa.

